sexta-feira, 9 de julho de 2010

A Síndrome do Pós-Qualquer Coisa

O momento é propício (pelo menos pra mim) pra escrever esse post sobre algo que aflinge milhares de pessoas: a Síndrome do Pós-Qualquer Coisa.
Seja essa "qualquer coisa" um show, uma balada, uma festa, um evento, um encontro, ou qualquer outra coisa que se encaixe nessa lista.
Pra você que ainda não entendeu o que é essa tal Síndrome, explicar-vos-ei (??): é aquela coisa que a gente sente no dia seguinte a qualquer coisa que tenha sido boa no dia anterior e passa o dia seguinte lembrando e tentando voltar no tempo pra viver de novo aquela coisa do dia anterior e que não devia ter acabado nunca. Entendeu???
Tá, é bem mais simples do que isso. Mas enfim....se você que me lê (ou não) já sentiu essa Síndrome, saiba que você não é o único!
Então, porque nós, milhares de pessoas que sofrem da Síndrome do Pós-Qualquer Coisa não nos juntamos e tentamos criar uma máquina do tempo hein?!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Nascida para cantar: A música na vida de uma vaidosa e organizada cantora.

(Esse texto é uma pequena homenagem para a minha professora de canto Rosely.)

Um dia, parada no farol, dentro do carro. Com cabelos vermelhos, repicados, batom e óculos escuros. “Olha a Rita Lee”, diz uma garota que passava em outro carro. Mas não era a Rita Lee. Era, na verdade, uma outra cantora, um pouco menos conhecida, Rosely Aparecida Neves.
“Cantar é a minha vida!”. Não é famosa, mas já passou por essa fase, “não vou deixar de cantar porque eu não fiquei famosa, porque vou ficar frustrada duas vezes”. Rosely, ou Lily como é chamada pelos amigos, já fez cover da Rita Lee, “quando era jovem me incomodava um pouco, hoje eu curto, acho legal”.
A menina que, como conta a mãe, dançava e cantava em frente à televisão, trabalha hoje, aos 51 anos, também como professora de teclado, algo que faz há 30 anos, e de canto, há apenas três. Aparecida, porque nasceu com um problema de saúde e, como promessa da mãe, foi batizada na igreja de Nossa Senhora Aparecida. “E graças a Deus eu acho que funcionou! Nossa Senhora Aparecida foi boa comigo”.

Rosely sempre gostou de cantar. No entanto, só decidiu seguir a carreira na música já depois de participar de algumas bandas, entre elas a do irmão e de amigos. “Minha carreira foi invertida”, diz, já que começou fazendo shows e depois foi aos bares. A partir de então, foi estudar música. Estudou no Conservatório de Guarulhos oboé e técnica vocal durante quase três anos.
Guarulhos é onde mora há 38 anos. Em um prédio de três andares, mora no térreo, sozinha em um apartamento de dois quartos. “É um lugar bem calmo, não passa ninguém no corredor, nem nas janelas”.
O piano entrou em sua vida por meio de um “desafio” – que mais tarde se revelou falso – de um amigo de seu namorado na época: ele dizia que Rosely poderia cantar na banda, mas não era capaz de tocar um instrumento. Começou então a estudar piano e foi com ele que passou na Ordem dos Músicos. Não fez faculdade de música porque na época só existia faculdade paga.
Começou a dar aulas por meio de um convite feito pela dona da escola onde estudava piano. Isso quando tinha apenas 21 anos. De temperamento forte, por diversas vezes perdia a paciência com seus alunos, algo que hoje não acontece. “A minha relação com a Rosely não é apenas uma relação professor-aluno. É mais que isso. A gente conversa bastante, mesmo não sendo sobre a aula”, diz Maria Cristina de Oliveira, aluna a quase um ano de Rosely. “Ela é meiga e paciente e se interessa pelo desenvolvimento do aluno”, completa.
Desde então nunca mais parou. Quando chegou perto dos 40, percebeu que deveria continuar com esse trabalho, porque “queria casar e ter filhos e não casei nem tive filhos, então meu legado eu vou deixar para os meus alunos, que são como meus filhos”. Para ela “não só a música, mas a arte, faz o contato entre as pessoas”.

A primeira banda em que Rosely cantou, com apenas 15 anos, foi a Axibit Abascumastemus, conjunto do seu irmão mais velho e dono da escola onde hoje trabalha; e, sua primeira música nos palcos foi Sangue Latino, dos Secos e Molhados.
Organizada e metódica, Rosely adora rotina, mesmo odiando acordar cedo, “pra mim tudo tem que ter uma organização, sou uma pessoa muito metódica, disciplinada com as minhas coisas”. Seus esmaltes e perfumes são separados por ordem, assim ela pode usar todos. O mesmo acontece com suas roupas, as quais tem um dia certo para lavar, “tenho roupa pra ficar em casa, pra dar aula e pra cantar”. Essa organização toda se reflete também nas suas aulas, em que anota nos cadernos de cada aluno o que foi ensinado, por exemplo.
“Eu adoro comer só não sou gorda porque eu me controlo”. Controle que vem através da ginástica, que adora praticar, e o faz quase todos os dias, “é uma coisa que eu conquistei e não abro mão de fazer porque me dá muito prazer, é bom pra minha saúde e pra minha vaidade”.
Vaidosa é outro adjetivo que a descreve. Sempre usa a maquiagem combinando com as roupas, batons marcantes, além das bijuterias. Na verdade é loira, com a pele bem branca e, quando pinta seu cabelo de vermelho, fica mais parecida ainda com a Rita Lee.

Dá aulas todos os dias, tanto em escolas quanto particulares, exceto sextas e domingos. Começou a dar aulas de sábado por necessidade, “se pudesse só cantaria, mas não dá”, mesmo assim gosta de dar aulas. Não passa os finais de semana em casa, sai com o namorado, vai visitar os pais ou na casa de amigos.
Eventos, os faz quando surgem. É contratada, há oito anos, da banda Millennium que faz eventos, na maioria casamentos, mas também para festas em empresas, festas de animação, como define Rosely, “com repertório variado, pra dançar e cantar junto”.
Desde 1993 faz shows como backing vocal com o cantor espanhol Manolo Otelo, “mas tem pouco show porque ele não é um artista da mídia”. Seu último trabalho foi em uma gravação de um show em Curitiba, em maio. “Não tem uma foto minha cantando o solo com o Manolo Otelo e é uma coisa que mexe com a vaidade”, reclama Rosely.
Uma voz doce, linda e com muitos anos de experiência. Vaidosa e organizada. Adora o que faz. Essa é Rosely. Alguém que ama a música e nasceu para cantar.

A seguir deixo um vídeo da apresentação dela no Programa do Jô com o Manolo Otelo.

(obs.: Ela é a da esquerda)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Espelho

Já se passaram anos. Tantos crimes e nenhuma pista daquele serial killer. O detetive Thomas já estava cansado de tantas cobranças. Sempre que o caso ia ser encerrado, aparecia mais uma vítima. O mesmo padrão, jovens solitárias, e uma rosa deixada pra trás, em cima do corpo.
Thomas tinha problemas de sono. Mal dormia e quando dormia não se lembrava como. Era um sono sem sonhos. Em uma dessas longas noites ele recebe uma ligação. Mais uma vítima tinha sido encontrada depois de alguns dias. Como ninguém notou a falta dela?
Chegando ao local do crime, Thomas observa a sala ao seu redor. Nenhum sinal de briga, nenhuma pista, nada. Ele volta pra casa e sem sono começa a analisar as fotos de todos os crimes. De repente uma luz se acende. Thomas percebe que o assassino não deixava somente a rosa como pista. Deixava, também, um espelho posicionado perto da vítima. Porém, este espelho nunca estava na posição certa, em todas as fotos eles apareciam ao contrário, virados para a parede. Será que esse louco tem vergonha de seu rosto? Por que esse espelho virado? O que, na verdade, ele não quer ver? Eram tantas perguntas sem respostas que Thomas resolveu sair para caminhar.
O telefone toca. Thomas acorda assustado. Mais uma jovem foi achada. O detetive corre em direção a casa da vítima. E lá estava. O corpo, a rosa, o espelho. O que havia de tão assustador que nem o assassino conseguia ver e acabava por virar o espelho?
Pensando em algum motivo e em alguma maneira de capturar o assassino, Thomas voltou para casa.
Alguns dias se passaram. O assassino devia estar passando por algum momento difícil. Ele não matava ao acaso e agora, em menos de um mês, já eram quatro vítimas. Thomas não achava pistas suficientes e tudo parecia levar a um beco sem saída. Sem conseguir dormir, ele sai para caminhar.
No meio da noite, Thomas acorda. Olha ao seu redor, mas não reconhece o quarto. O detetive levanta, vai até a sala e acende a luz. E lá estava mais um corpo, uma rosa, o espelho virado. Como vim parar aqui?
O desespero começou a crescer em Thomas. Ele olha tudo ao seu redor, tentado encontrar alguma resposta. Pensa, até mesmo, em ligar para a polícia. Mas como explicar a presença dele ali?
Então, Thomas caminha até o corpo, fica em pé ao lado dele, de frente para o espelho. A resposta estava ali, tão perto, só que ele ainda não conseguia enxergá-la. Ele estica o braço devagar e vira o espelho.
Nada. Não havia nenhuma mensagem. Somente seu rosto. Envelhecido. Cansado. De mais um dia de trabalho.

sábado, 22 de maio de 2010

A Procura da Boa Alma


As portas do teatro se abrem e o público começa a entrar. Em uma delas, Denise Fraga; na outra, Ary França. Eles entregam o programa da peça enquanto brincam e agradecem as pessoas por terem vindo.
Assim, o clima é montado. “O que vocês vão ver aqui hoje é uma comédia, ok?!”, avisa o ator Ary França continuando sua interação com o público.
O sinal toca. Os atores se dirigem ao palco. Sentam de costas para o público no que parece ser um camarim improvisado. Levantam-se segurando velas e as apagam após um grito em uníssono de “merda!”. Começa, então, A Alma Boa de Setsuan.


Escrita por Bertolt Brecht, a peça conta a história de quando Deus (Ary França) vai à cidade de Setsuan à procura de uma boa alma. Essa alma ele encontra na prostituta Chen Tê (Denise Fraga), após tê-lo hospedado em seu quarto. Antes de ir embora, Deus dá a Chen Tê mil moedas de ouro. Com isso, ela compra uma tabacaria e muda de vida. Porém, por nunca conseguir dizer não, Chen Tê logo perde o que tem e se endivida. É quando ela se disfarça de Chui Ta, seu primo que chegou a cidade para cuidar dos negócios, e que representa seu oposto.
A peça é dirigida por Marco Antônio Braz e já ganhou vários prêmios entre eles: o APCA de 2008 como melhor espetáculo e como melhor atriz para Denise Fraga. Prêmios estes mais do que merecidos.

Destaque para a atuação de Denise Fraga que mostra sua versatilidade ao interpretar Chen Tê e Chui Ta, na variação de voz, gestos e movimentos, para convencer, não o público, mas os outros personagens de que são duas pessoas diferentes.
Outro destaque na atuação é para Ary França em sua interpretação de Deus que consegue tirar boas risadas da platéia, principalmente com sua interação com o Espírito Santo – representado como uma ave meio tosca que ele leva em seu ombro.

O cenário e o figurino usados são relativamente simples. Quanto ao cenário, são os próprios atores que o movimentam e o montam. Isso confere à peça certa leveza, como se as diversas partes que constituem o cenário estivessem dançando. O figurino é igual para todos os atores, o que varia, na verdade, são os adereços – usados para representar os personagens – simples como um leque, um chapéu ou mesmo uma túnica.
O elenco praticamente não sai de cena. Usa o fundo do palco como camarim para se preparar para a próxima entrada. Contudo, os atores parecem estar confortáveis e muito entrosados, brincando entre eles – como quando um personagem puxa a barba falsa do outro – e chegando a, até mesmo, interagir com a platéia em alguns momentos.

O final do espetáculo pode decepcionar a alguns. Pelo menos àqueles que esperam um fim convencional. A peça não oferece respostas prontas aos questionamentos levantados ao longo da apresentação. No entanto, é a atriz Denise Fraga que finaliza com um texto falado por ela mesma, que só traz mais questões e leva o público, que a pouco ria da situação proposta, a pensar e refletir sobre qual seria o final para Chen Tê; ou melhor, para a contraditória natureza humana.

Recordar é viver...

Um dia desses estava sem muito sono e comecei a lembrar daqueles comerciais antigos e, por incrível que pareça, lembrei de vários.
Resolvi, então, dividir isso com os poucos que leêm esse blog e colocar aqui alguns clássicos que eu consegui lembrar.


O primeiro vídeo é uma coletânea de jingles antigos.




Esse outro é do extinto Banco Bamerindus e faz parte de uma série mas, o jingle era sempre o mesmo.




Cuidado! Esse pode te hipnotizar!




Toda criança da década de 90 que tinha um pianinho e sabia tocar esse jingle. Inesquecível!



(E eu ainda tenho aquele gravador vermelho que aparece pendurado....rsrsrs)


Pra quem colecionava os bichinhos de pelúcia (e ainda tem alguns!):




Ok. Esse eu confesso que é um pouco irritante:



ESTÚPIDA!




Hey, Tio!!




Você disse PIPOCA?!


Essa, pra mim, é a mais clássica de todas. Depois de tantos anos, eu ainda sei a letra inteira do jingle (e aposto que muitos se lembram também).

Essas foram as que eu consegui lembrar. Se alguém tiver outras , me manda que eu atualizo aqui.
Mas, depois tá?! Porque agora eu vou lá fazer minha pipoca com guaraná!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Neo estava certo?


Estava eu em meu quarto, lendo, estudando, ouvindo música ou fazendo qualquer outra coisa que as pessoas fazem quando estão em seus quartos, apenas me isolando do mundo para ter um pouco de privacidade. De repente, meu celular toca. Atendo. É ninguém menos que minha mãe. Conversamos por alguns segundos, talvez um minuto. Por fim ela me chama para descer para o almoço. Sim. Ela está no andar debaixo, na sala.
Essa é uma situação muito comum no meu e no dia a dia de milhares de outras pessoas. E um dia desses me fez pensar: se já nos comunicamos dessa forma hoje, imagine como será daqui a dez ou quinze anos?

Atualmente, a modernidade nos leva para diversos caminhos. Ter um computador de última geração, um IPod, um celular que faz tudo – mas na hora em que você mais precisa não tem crédito nem para fazer uma ligação – são algumas das coisas essenciais para se viver atualmente. Essa corrida maluca atrás de tecnologia, se por um lado é boa, por outro pode ser quase prejudicial.
A maioria das pessoas (e eu também, como explicado no exemplo acima) se isola em seus mundinhos, ouvindo suas músicas no caminho para o trabalho ou para a faculdade. As conversas não se dão mais pessoalmente, a interação se dá por e-mail, MSN, ou pior, via 140 caracteres da mais famosa rede de relacionamento, o Twitter.
Jogos virtuais são criticados por serem muito violentos, pais proíbem seus filhos de jogar, menores de 16 não podem entrar em lan houses desacompanhados.
Relações são mantidas pela internet, sem se perceber que essa relação se dá com uma máquina, mesmo havendo uma câmera para aumentar a interação. Há algum problema na realidade virtual? Em um jogo como The Sims, o jogador pode ficar tão entretido com sua “vida” virtual que pode esquecer de viver a sua vida real?

Cada vez mais e mais pessoas se conectam, os flash mobs – mobilizações feitas pela internet – são organizados pela rede e as pessoas comparecem nas ruas. O movimento “Fora Sarney” é um exemplo disso. (Aqui cabe a questão: esses movimentos, conduzidos em grande parte por pessoas jovens, podem realmente mudar nosso país? Ou isso nos faz ter uma sensação de participação na vida política, mas, no final, não estamos fazendo nada?).
Alta tecnologia, robôs inteligentes, celulares terceira geração. É a globalização, que chegou, finalmente, ao Terceiro Mundo. Será? Ainda vejo pessoas morando nas ruas, passando fome e frio. Isso só aqui no Brasil, sem falar na África, onde a situação é muito pior.

Todos conectados.

Todos conectados?

Significa então que, ao mesmo tempo em que eu posso saber das intimidades de uma pessoa, ela pode saber da minha também. As redes de relacionamento deixam isso bem claro, sendo que no Orkut, a mais famosa delas e que é praticamente dominada pelos brasileiros, pode-se colocar fotos, vídeos, telefones, endereço, e isso serve para quase todas as outras redes.

Não é possível saber onde vamos parar. Seria tão distante um futuro como o do filme Matrix? Ou teremos nosso próprio Big Brother, como imaginou George Orwell em sua distopia 1984?



Tudo bem que imaginar um futuro tão "promissor" quanto esses pode soar pessimista, mas não nos assustamos mais quando vemos o jornal anunciar que inventaram um robô capaz de imitar gestos e expressões faciais dos humanos, chegando ao ponto de, até mesmo, "mostrar seus sentimentos". Se isso nos parece tão normal, um amanhã pessimista pode não estar tão longe assim...


quarta-feira, 14 de abril de 2010

De como me falta inspiração e criatividade para escrever...

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